sábado, 6 de maio de 2017

Especial Dia das Mães com Dona Jacira



Galerinha, já sabem que dia está chegando né? Semana que vem é o Dia das Mães e para comemorar resolvi convidar a Dona Jacira para saber um pouco mais sobre como é ser mãe, em especial do Leandro, mais conhecido como EMICIDA.

Conversamos sobre vários assuntos como a sua relação com o Leandro antes e depois da fama, seu apoio em sua carreira e de quebra conhecemos muito mais sobre a história da família Roque.



UNIVERSO TEEN: Para a senhora, qual é o verdadeiro significado do dia das Mães?
Dona Jacira: Eu tenho um afastamento de todas estas datas comerciais porque nunca me vi nelas e eu não entendia o porquê, só fui me posicionar quando passei estudar o racismo e suas consequências. Minha mãe foi abandonada por minha vó por causa da cor da pele (minha avó era loira) minha mãe nasceu negra, porque meu avô era negro. Então dia das Mães em casa era dia comum, ainda é, e eu sou do mesmo jeito com meus filhos, quero respeito carinho o ano inteiro só neste dia não me interessa e outra eu peço tudo o que gosto o ano inteiro. Só lembrei da data porque você falou, e quando eu assistia tv nunca vi comercial com mulher negra e hoje eu nem ligo a tv. Então respondendo a sua pergunta não vejo importância nesta data.

UT: Qual o melhor presente que um filho pode dar para sua mãe?
Dona Jacira: Eu sou uma mulher privilegiada e isto é um presente, eu ensinei e eles entenderam, eu falo e eles e elas ouvem, nem sempre concordamos, mas há entre nós muito respeito, isto para mim é um presente.

UT: Como era a sua relação com o Emicida antes da fama, sempre foram próximos?
Dona Jacira: Nossa relação era comum como mãe e filho ainda mais porque ele estava aqui em casa, portanto mais perto. Depois surgiu não uma diferença mas um distanciamento, ele casou teve a filhinha (quando ele casou ainda morava aqui em casa, saiu depois). Nossa relação é de mãe e filho de acordo com as nossas características, nunca deixei de cobrar dele as mesmas obrigações que os outros também tinham. Minha casa é uma casa que homem cozinha, lava, passa e o Leandro de quem estamos falando sempre foi muito engraçado, tímido, mais engraçado de raciocínio rápido, mas se eu tivesse que brigar eu brigava sim.

UT: Após o sucesso, mudou alguma coisa na vida da senhora por ser a mãe do Emicida?
Dona Jacira: Sim, houve muitas mudanças após o sucesso nem todas boas, o afastamento da gente é uma coisa necessária mas a meu ver negativa, mas isto acontece sempre que os filhos crescem, então se não fosse a carreira seria outra coisa. Uma coisa que aconteceu e eu não gosto são os assédios de pessoas pedindo coisas, porque são muitos e principalmente quando não é possível ajudar a pessoa sai falando muita besteira, as cobranças são eternas também. As coisas boas são bem maiores como o orgulho de ver que tudo vai indo bem e o que favorece bastante a mim e a minha família, a melhora constante fazendo com que nós tenhamos acesso à uma vida melhor, vê-los aparecer na tv, no rádio, sair do brasil e liderar uma empresa, tudo isso me deixa muito orgulhosa. Quando vejo e sinto que a empresa começou na sala da minha casa e está onde está, crescendo e crescendo, só agradeço a todos os meus deuses africanos e a todas as entidades que nos guiam, nós vencemos as estatísticas! Muito orgulho, eu não consigo falar só do Leandro porque até na formação da empresa toda família se faz presente, até ele subir no palco ou embarcar no avião nós estamos lá nos bastidores.

UT: A senhora está sempre acompanhando a carreira dele, já até participou de alguns clipes, você sempre acreditou no seu talento e o incentivou a seguir seu sonho?

Dona Jacira: Leandro sempre disse que não seria empregado, isto desde muito pequeno, para você ter uma ideia ele não pedia dinheiro dado, pedia emprestado e dizia que pagaria assim que pudesse. Nasceu desenhando sozinho sem fazer aula, sempre muito falante chegou a me dar trabalho com as professoras porque segundo elas ele falava demais, foi preciso que eu abrisse um processo contra a diretora de uma escola dele para ela deixar de persegui-lo. Quanto à carreira, eu sempre tive em mim a ideia de que o homem nasce para vencer fazendo o que ele gosta ou seja realizando os seus sonhos, só que comigo não deu certo, eu não tive apoio e isto me deixou com o pé atrás quanto ao futuro dos meus filhos, ia depender muito de cada um e eu não teria dinheiro para pagar faculdade e também nem acredito nela, na minha família até mesmo com exemplo da minha mãe somos autônomos, mas nunca regularizamos nossas funções, já os meninos regularizaram o comício deles porque eles vivem outra época. Eu tive medo de não dar certo e ele se frustrar e cair na bebida como o pai ou na depressão que é o mau do século e eu não poder ajudar. Tive medo de não dar certo sim porque daqui onde a gente vem tudo só empurra para o abismo.

UT: Como a senhora é recebida pelos fãs dele?
Dona Jacira: Meu relacionamento com os fãs tem variações. Têm os fãs que gostam de mim e me respeitam, me cumprimentam e é só isso, mas tem uma coisa que me incomoda é ser chamada de mãe do Emicida. Eu não sou mãe do Emicida, sou mãe do Leandro, o Emicida é filho de criação de Leandro, então quando muito ele é meu neto.
Têm pessoas que me abordam de um jeito agressivo querem que eu traga recados, CDs, que arranje trabalho, que favoreça privilégios que não estou à altura de arranjar, aí ofendem e dizem bobeiras. Tem um grupo que me trata muito bem, se eu estiver na companhia deles logo em seguida nem lembram quem sou. E tem as pessoas que afirmam que o Leandro escreve e eu só boto o meu nome e a estes que eu não devo satisfação só ignoro. Como você vê, tenho uma variação de pessoas ao meu redor por conta da fama dos meus filhos e a procura de vantagens, mas algumas é afeto sincero.

UT: Quais os pontos positivos e negativos de ser mãe de um artista?

Dona Jacira: A distância é muito ruim, algumas companhias também, uma coisa que não acostumo é de ter perdido o nome de Jacira para “mãe do Emicida”, preciso ser chamada pelo meu nome. A grande vantagem em ver meus filhos progredindo com um ensinamento meu que era ‘siga o seu sonho’ fez com que eu saísse da frustração e voltasse a investir no meu sonho que eu havia enterrado achando que já havia passado o tempo pra mim e eu voltei a crer em mim como escritora como pesquisadora e tanto procurei que já vou lançar meu primeiro livro ainda este ano. Consegui trazer pessoas para trabalhar comigo e fico muito feliz toda vez que recebo uma oportunidade que estou buscando. Meus filhos são minha inspiração para vida, antes de tê-los, minha vida não tinha sentido, eu nem queria viver mais, só mudei de ideia quando os tive. Eu nem me sinto mãe, eu sou uma mulher formada em desenvolvimento humano que é arte de criar os filhos de perto, acompanhá-los, corrigir, castigar se precisar, era tudo o que eu podia dar a eles porque abri mão de qualquer formação, não gosto de creche, nunca os quis criados por pessoas que eu não conheço, por esta razão nunca tive dinheiro só pude dar a eles a minha companhia e acho que deu certo porque até nas bizarrices somos idênticos.

UT: Deixe um recadinho para todas as mamães que estarão lendo esta entrevista.
Dona Jacira: Deixo meus parabéns a todas as mães que de sua forma lutam pelas suas crias, eu tenho meu jeito de pensar, mas cada uma tem o direito de pensar como quiser. Parabéns as mães de todo mundo!




Espero que tenham gostado, para mim foi um honra poder fazer esta entrevista!

Um beijo e um abraço para as mães de todo o Brasil! Aquele clichê de sempre, mas todo dia é dia de vocês! <3 br="">

'  Káh.

0 COMENTÁRIOS:

Postar um comentário

• Deixe suas críticas e sugestões, obrigada desde já! ;)

Related Posts with Thumbnails